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Olá
Meu nome é João Camillo sou artesão, nunca tive outra profissão nem mesmo outra fonte de renda diferente deste meu trabalho, nos últimos 35 anos tenho me dedicado a desenvolver novas técnicas, otimizar a utilização da matéria prima, criação de novos produtos e ensinar o meu oficio em meu atelier. Com apoio da Sutaco (Superintendência do trabalho artesanal nas comunidades) desenvolvi e apliquei um curso de escultura e pintura em madeira (peixes e pássaros) na Associação de Jovens da Juréia no município de Iguape/SP, através de reportagens em Jornal, revista e televisão vi que o resultado foi positivo e que os modelos desenvolvidos para o curso até hoje são produzidos pelos jovens da Juréia.
Vou contar para vocês uma parte da história do “Artesanato de Silveiras”.
Silveiras é uma cidade do Vale Histórico (Vale do Paraíba do Sul) localizada no extremo leste do Estado de São Paulo, sua maior fonte e distribuição de renda é a produção e o comércio de artesanato. Tudo começou no meio da década de 1970.
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No ano de 1974, iniciei meu trabalho como artesão, na época vendia minha produção, tapeçarias em fios de sisal e algodão, nas feiras de artesanato de final de semana como Embú, Praça da República e outras.
Em 1976, a conselho do meu pai Manoel Camillo, resolvi mudar-me da capital para a pequena cidade de Silveiras onde reduzindo o custo e aumentando minha qualidade de vida, pude dedicar-me melhor ao meu trabalho. Não tenho parentes no município apenas conhecia um morador local, Osvaldo de Paula Cardozo a quem procurei, muito bem recebido e acolhido por todos vi logo que tinha acertado, a Prefeitura cedeu-me um espaço gratuito, logo muitas pessoas quiseram trabalhar comigo e aprender o que eu fazia, então foi formado o primeiro grupo de moradores locais que se tornariam os novos artesãos aprendendo a técnica que eu usava, o macramé, assim iniciou as atividades o atelier Entre no Paraíso, após o aprendizado alguns me pediram trabalho, outros desde o início passaram a desenvolver sua própria produção.
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Em 1978 já casado com a Denise, participamos com Silveirenses, que conhecendo o nosso trabalho perceberam que a produção de artesanato poderia ser uma opção para o desenvolvimento sócio econômico da população local, da fundação da Associação Amigos de Silveiras que entre outros projetos, organizou e fez acontecer, uma feira de artesanato nos finais de semana com o nome de Silveirarte, este fato contribuiu muito para divulgar a idéia para a população local, que moradores do municipio poderiam sustentar-se com um novo trabalho, passou-se então a ser valorizada a produção local do artesanato folclore produzido na região (gamelas para temperar alimentos, pilões para socar café, milho, amendoin e cestarias de uso doméstico ou para transporte de alimentos em animais, etc....).
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Em 1981, a produção de macramé (artesanato popular) com os modelos desenvolvidos pelo atelier Entre no Paraíso tornaram-se um produto disseminado em boa parte do município, entendemos então que era hora de inovar, baseado nos trabalhos de artesãos caiçaras do litoral Norte de São Paulo, o atelier Entre no Paraíso passou a desenvolver junto com artesãos locais, escultores de pilões e gamelas, o trabalho de representação de pássaros da fauna brasileira em madeira esculpida e pintada à mão, produto até então inédito no Brasil, pois os pássaros produzidos pelos caiçaras do litoral eram estilizados tanto na forma (escultura) como na pintura, usava-se pintar araras com a cor roxa combinando com a cor rosa. Pesquisando pássaros da fauna brasileira e auxiliados pelo ornitólogo Professor José Hidasi, de Makó, Hungria, fundador do Museu de Ornitologia de Goiânia, o atelier Entre no Paraíso desenvolveu uma nova técnica de pintura , orientou a forma das esculturas, acabamento e utilização da madeira correta, desenvolvendo um produto inédito com design próprio, o que contribuiu de forma definitiva para o sucesso da nova realidade, Silveiras apresentava um trabalho que não existia no mercado um produto com características próprias sem ter copiado de outro lugar. O primeiro artesão a esculpir um pássaro em Silveiras chama-se Dito Paulino seguido pela sua família.
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Em 1984, a família Carvalho é orientada no atelier Entre no Paraíso,como realizar este novo trabalho recebendo instruções de como esculpir, qual madeira usar, como lixar, como montar as peças e depois de participarem de um curso de pintura passaram a produzir os pássaros de madeira, coordenados pelo atelier Entre no Paraíso participaram de feiras em São Paulo e Rio de Janeiro, (UD, Feira da Providencia, entre outras ) com grande sucesso financeiro e de divulgação, o resultado em pouco tempo mudaria sua realidade para uma nova situação financeira de equilíbrio, o que proporcionou a compra de terra, veículos, enfim uma nova perspectiva de vida. Estes acontecimentos viriam mudar o cenário da cidade de Silveiras de maneira radical, a família Carvalho foi um exemplo e a partir deste fato muitos Silveirenses viram que podiam acreditar neste novo trabalho, muitas pessoas passaram a se dedicar a produzir pássaros de madeira e logo o jornal Gazeta Mercantil veicula uma matéria com o título “Silveiras o Passarinho ultrapassa o Boi”.
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A partir de então, empresários donos de lanchonete, padaria, casa de material de construção, loja de presente e até proprietários rurais passaram a dedicar-se a produção de pássaros de madeira, utilizando-se da mesma técnica e desenho dos produtos desenvolvidos pelo atelier Entre no Paraíso, criam empregos e geram renda, destas primeiras "Fábricas de Artesanato" (como eram chamadas por seus donos) saiu uma nova geração de artesãos que montaram seus núcleos de produção e produzindo pássaros passam a aumentar o volume da produção e comercialização do artesanato em Silveiras e a consequência foi o aumento da renda com melhor distribuição, e a qualidade de vida do Silveirense melhora.
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Em 2000, o atelier Entre no Paraíso transforma-se num atelier empresa, precisávamos sobreviver, novamente sufocados com a concorrência pois a produção de todo o municipio baseava-se num único produto "pássaro de madeira", iniciamos uma nova fase de criação e de desenvolvimento de novos produtos, buscamos novos caminhos para a comercialização dos produtos tradicionais sendo que hoje não disputamos mais espaço com nossos colegas artesãos e empresários Silveirenses. O atelier passa a desenvolver e produzir brinquedos educativos de madeira e peças de utilidade e decoração.
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Em 2006, construímos nossa nova sede com o formato de um casarão da época do café localizada no Portal do Vale Histórico onde recebemos amigos, turistas e todos os que queiram conhecer Silveiras, o Vale Histórico, a Serra da Bocaina, suas histórias e seu artesanato. Acreditamos no desenvolvimento sustentável da região através do turismo e mais uma vez com pioneirismo transformamos nosso atelier em um atrativo turístico, sabendo que seremos modelo para a mudança de muitos na cidade e região, nossa proposta é participar, assumindo compromissos, do trabalho de inclusão da população da região neste novo ciclo econômico, que se inicia no Vale Histórico, o Turismo.
Nossa principal característica é sermos artesãos no que de mais autêntico pode expressar esta palavra, a criação, ninguém pode tirar do artesão a capacidade que Deus lhe deu para criar.
João Camillo
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